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Archive for the ‘Cultura e entretenimento’ Category

Coleção Legião Urbana

Ontem fui surpreendido ao passar numa banca de jornais e encontrar o primeiro álbum da Legião Urbana embalado em formato de livreto e por módicos R$ 9,90. Ainda na banca descobri que se tratava de uma coleção distribuída pela Abril Coleções que tem o objetivo de lançar semanalmente cada um dos álbuns da Legião Urbana como parte de uma coleção em memória aos 15 anos da morte do Renato Russo. Ao todo serão 15 livros-CD, todos os álbuns de estúdio e edições ao vivo, contando histórias da banda e trazendo depoimentos e fotos raras da banda que marcou gerações e cravou seu nome como uma das mais importantes do rock nacional.

A coleção começou a ser distribuída dia 17 de outubro nas bancas e sua distribuição será semanal. A partir do quinto volume serão lançados dois volumes por semana. Como eu disse o preço do primeiro CD é de R$ 9,90 e os demais custarão R$ 17,90. Além disso, um Box acompanhará a coleção para guardar os volumes. Dado o capricho da coleção e a importância que a Legião Urbana teve pra mim eu não poderia deixar passar essa oportunidade, resultado: Comprei o primeiro volume e vou montar minha coleção.

Uma coisa me chamou a atenção, mesmo 15 anos após o fim da Legião Urbana, com a morte de Renato Russo, eu me surpreendi com a força que o grupo tem até hoje. Essa coleção não visa apenas os fãs mais antigos da banda, mas uma nova geração que só começou a ouvir as músicas do grupo quando ele não mais existia. Sem dúvida nenhuma se trata de uma ótima coleção que valoriza a história da banda e a ajuda a mantê-la mais viva que nunca.

Site oficial da coleção: http://www.colecaolegiaourbana.com.br

Urbana Legio Omnia Vincit

Força Sempre!

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Rock in Rio 2011 – Eu Vou!

Quando esse post tiver ido ao ar eu estarei a destino do Rock in Rio 2011 que após 10 anos volta ao Brasil e a sua cidade natal que dá o nome ao evento, o Rio de Janeiro.

Sei que tem muita gente que não dá a mínima, que tem gente que se queixa das atrações como Rihana, Claudia Leitte, Kate Perry, etc, mas com todo o respeito eu estou indo por nomes muito mais significativos para mim e que ainda justificam o Rock que dá nome ao evento, como Sepultura, System of a Down, Red Hot Chilli Peppers e principalmente Motorhead e Metallica que já valem por todos os outros shows.

Sei que não é mais o mesmo festival que entrou para a história em 85, sei que hoje em dia os festivais não têm mais a mesma relevância que tinham antigamente quando era raríssimo poder presenciar um espetáculo de bandas tão significativas como essas, mas ainda é o Rock in Rio, ainda é Rock e ainda que não entre para a história, com certeza será um dos tantos eventos que fazem parte da MINHA história e pra mim isso é o que conta.

Verei os shows dos dias 24 e 25 de Setembro, volto pra São Paulo e depois torno a voltar ao Rio de Janeiro pra ver o último dia de evento.

Vou de mochilão nas costas, ficarei num albergue em que todos terão o mesmo destino que o meu e com um pouquinho de sorte eu volto, quem sabe, pra contar como foi essa experiência.

Aqueles que vão, nos veremos por lá, aqueles que ficam tenho certeza que curtirão muito seja pela TV, Internet ou fazendo qualquer outra coisa que não tenha nada a ver com o evento (gosto é gosto).

Semana que vem estarei de volta, bom final de semana a todos ;).

Vejo você em breve

 

And oh, don’t lose your trust…

I see you soon ^^

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Filme: Rio

Sinopse

Dos criadores da série de sucesso A ERA DO GELO, agora chega às telas RIO, uma divertidíssima aventura sobre assumir riscos na vida. Blu é uma arara domesticada que nunca aprendeu a voar e tem uma vida tranquila e confortável ao lado de Linda, sua dona e melhor amiga, na pequena cidade de Moose Lake, Minnesota. Blu e Linda pensam que ele é o último de sua espécie, mas quando ficam sabendo que já outra arara azul que vive no Rio de Janeiro, eles partem para a terra distante e exótica na expectativa de encontrar Jade, uma fêmea da espécie de Blu. Logo depois de sua chegada, Blu e Jade são sequestrados por um grupo de contrabandistas de animais. Com a ajuda da experiente Jade e um grupo de debochados e faladores pássaros da cidade, Blu consegue escapar. Agora, com seus novos amigos a seu lado, Blu precisa descobrir a coragem para aprender a voar, enganar os sequestradores que continuam em seu encalço e voltar para Linda, a melhor amiga que um pássaro já teve.

Opinião

Em filmes tão comentados como esse é difícil dizer algo que já não tenha sido dito, porém depois de assistir não poderia deixar de dizer qualquer coisa que fosse sobre o filme mesmo que soe repetitivo pra alguém. Então, pra começar, eu quero dizer que ADOREI O FILME! Eu me diverti muito assistindo Rio e aqui já vai a primeira ressalva, Rio é um filme leve e divertido, essencialmente é um filme para crianças, o que não é um demérito, e que mesmo nós, adultos, podemos ver o filme e nos divertimos muito com ele. Acho que Rio encontrou um ótimo meio termo entre os antigos desenhos da Disney, pois o filme conta com várias músicas cantadas pelas personagens, e o dinamismo das animações atuais.

Rio é fantástico! Como não poderia ser diferente a qualidade da animação surpreende e embora eu tenha ficado um pouco temeroso quanto à imagem que seria feita do Rio na animação esse receio passou em pouco tempo. Basicamente o filme nos mostra duas cidades, uma sob a ótica do turista, passando pelo Cristo Redentor, Copacabana, sambódromo, etc. E a visão de quem já é da cidade, então o filme não deixa de mostrar a favela e a miséria que ela representa, sem ser demagógico ou piegas, funcionando muito bem sim como uma crítica social além de outras situações que também são mostradas no filme, que não vem ao caso citar aqui.

Pra finalizar gostaria de frisar aqui que minha visão do filme está longe de ser ufanista. Infelizmente como brasileiros temos dois péssimos hábitos, um de achar que tudo que leva nossa bandeira é ótimo só por ser brasileiro e outro que é do povo do contra que só por ser brasileiro ou falar do Brasil parecem querer achar defeito em tudo. Após ter visto o filme procurei por algumas críticas e me surpreendi com algumas (bem poucas por sinal) que criticaram o filme por não mostrar o Rio como ele realmente é, por usar como astros animais que não se veem por ai, ou por não ter mostrado a favela (esses acho que não viram o filme, já que a favela aparece no início do filme), ou por passar uma imagem muito estereotipada do brasileiro. Ora bolas, acima de tudo é um filme para criança, então minha pergunta é: O que eles estavam esperando, um “Cidade de Deus” para crianças estrelado por dois mosquitos da dengue?

Diferente dos filmes da Pixar que parece ter se especializado em fazer filmes com cara de filme infantil, mas com temática e profundidade de filmes adultos, Rio é mais simplista (não confunda com simplório), ou menos pretensioso, pois a intenção é puramente a de divertir. Rio é sim um ótimo filme e vale a pena sim ser visto, não por falar do Rio ou do Brasil, mas por ser divertido e tremendamente bem feito, por ter cenas lindíssimas, e por ser uma justa homenagem a um país que não é protagonista de uma animação desde aquele clássico filme de 44 com Pato Donald e Zé Carioca.

Em tempo

Sou paulistano, nunca fui ao Rio, no máximo passei por lá quando era criança, e devido a diversos fatores (ser paulistano não é um deles) nunca tive a menor vontade de conhecer o Rio e como muito ainda nutro certo preconceito pela cidade. Enfim, após assistir Rio pela primeira vez eu me despi um pouco do meu preconceito e achei que talvez valesse a pena conhecer a cidade. Então não deixe de ver o filme só porque ele fala do Brasil e não vá ao cinema apenas porque o filme fala do Brasil, vá porque Rio é um ótimo filme e, mais uma vez, merece sim ser visto.

PS: Vi o filme em 3D, não achei nada demais, me diverti tanto com o filme que as vezes eu tinha que lembrar que o filme era 3D pra prestar atenção nos efeitos. Mas se tem uma coisa que eu posso dizer quanto a esse efeito é que eu senti um pouco de inveja da capacidade que as crianças tem de se impressionar. Vi o filme numa sessão vespertina, ou seja, estava cheia de crianças e acabei me divertindo também vendo como elas interagem com o filme tentando pegar ou se assustando com os efeitos que saltam da tela.

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Livro: Jogadas da vida, de Julio César de Souza

Sinopse

O livro expõe a vencedora trajetória de vida do ex-jogador de futebol Júlio César, que iniciou sua carreira no Corinthians, na época da Democracia Corinthiana. Aos 19 anos, já era bicampeão paulista de 1982-83. Passou por vários clubes do Brasil antes de Jogar na Europa, onde ficou por dois anos. Encerrou a carreira como atleta e foi trabalhar como representante comercial, carreira na qual também obteve sucesso, mesmo já apresentando sinais de surdez. Após ficar completamente surdo, voltou aos gramados, agora como educador de crianças surdas pelo esporte. Desenvolveu um projeto educacional único no Brasil que já beneficiou milhares de crianças surdas tomando-o como exemplo de vida.

Resenha

Algo importante a ser dito sobre esse livro logo de cara é que não se trata de um livro sobre futebol, ou melhor, não se trata apenas de um livro sobre futebol. Acima de tudo é um livro que narra a trajetória de uma pessoa que teve tudo pra dar errado, ou, que teve todas as oportunidades que se possa imaginar para ter desistido de seus objetivos, no entanto, escolheu sempre continuar. Seu nascimento por si só foi sua primeira batalha, e também seu primeiro lance de sorte (se é que se pode dizer isso, já que algo relacionado ao seu nascimento marcaria sua vida no futuro), já que a gravidez de sua mãe foi considerada uma gravidez de risco e foi recomendado que ela fizesse o aborto. A partir daí começa a trajetória vitoriosa, mas não sem muita luta, de Julio César de Souza, que é tão bem contada nesse livro.

O livro é escrito em primeira pessoa e apenas em alguns momentos Júlio César nos conta sua história na terceira pessoa, dando um tom de romance à sua narrativa. Ele começa contanto sua trajetória desde antes de seu nascimento quando seus pais ainda moravam no Chile, o que nos ajuda a compreender a personalidade deles e como ela o influenciaria. Toda a história é contada em paralelo com o cenário do futebol da época, nos dando a entender como sua trajetória estaria ligada intimamente com esse esporte. O livro também nos mostra a difícil trajetória de um jogador profissional desde o fim dos anos 70 até o início dos anos 90, esvaindo quase que por completo aquele glamour que nosso inconsciente coletivo parece gostar de acreditar que exista no futebol. O livro segue contanto a história de Júlio César até o fim de sua carreira como jogador profissional, o início de uma nova vida profissional, o desenvolvimento de sua surdez chegando até nos levar ao momento mais importante do livro (minha opinião, claro) que foi o desenvolvimento de um projeto pioneiro de inclusão social aos portadores de deficiência auditiva através do esporte.

Jogadas da Vida é um livro que acerta logo em sua introdução contando com uma belíssima apresentação do antigo locutor esportivo e apresentador Osmar Santos. Além dele outros nomes famosos no futebol também marcam presença com depoimentos emocionantes, como é o caso de Zé Maria, Leivinha, Joaquim Grava, Coutinho, entre outros. Embora se trate de uma biografia Jogadas da Vida também se enquadra como livro de autoajuda, mas isso não é chega ser um problema. Em momento algum o livro tenta ser um guia definitivo sobre como superar adversidades e não apresenta também nenhuma receita de bolo de como fazê-lo. A história de Júlio César serve como um exemplo de superação sem se cair para o piegas.

Osmar Santos - "Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha"

A parte mais emocionante do livro se dá no momento que Júlio César começa a apresentar todas as dificuldades que ele passou pra fazer acontecer seu projeto de inclusão social e quando ele nos dá um panorama das reais necessidades e dificuldades das pessoas com deficiência auditiva. Admito que o livro me ajudou a ter um panorama diferente das dificuldades passadas pelas pessoas surdas e a rever algumas posições que tinha quanto aos processos educacionais de maneira geral.

A razão que me levou a escolher essa leitura é que pude conhecer Júlio Cesar através de uma palestra  que ele ministrou em Sorocaba e que eu estava presente. Fiquei muito curioso pra saber  mais sobre aquele homem surdo que jogou pelo meu Corinthians, que conseguiu construir uma carreira bem sucedida longe do futebol e que se transformou, além de um educador ,  num palestrante de primeira.

Jogadas da Vida é um livro que merece muito ser lido, seja por nos apresentar uma época em que o futebol era completamente diferente de hoje em dia, seja pelo exemplo de superação, ou pelo incrível trabalho que ele foi capaz de realizar como ex-jogador e que pode beneficiar mais de três mil crianças e adolescentes diretamente através de seus projetos sociais. De tudo que Júlio César de Souza fez o mais importante trabalho realizado por ele foi o de ter escolhido fazer a diferença para milhares de pessoas.

Pra saber mais:

Instituto Jogadas da Vida: http://www.jogadasdavida.com.br/instituto.php

Esse post faz parte do Desafio Literário 2011 e o tema para o mês de fevereiro é biografia e memórias.

Livro: Comédias para se ler na escola, de Luis Fernando Verissimo

“Para gostar de ler, eis a sugestão: textos curtos, fáceis, divertidos, escritos numa linguagem clara e parecida com a que a gente fala todo dia. Assim recomenda Ana Maria Machado. Assim são os textos de Luis Fernando Verissimo.

Com a experiência de quem já publicou 105 livros, para adultos e crianças, Ana Maria Machado examinou a obra de Veríssimo sob o ponto de vista do leitor jovem. O que ele busca? Por que nem sempre se apaixona por um livro? Do que precisa para, finalmente, incorporar o hábito da leitura ao seu cotidiano?

Ana encontrou respostas sedutoras no texto de Verissimo. Capaz de falar sobre qualquer assunto e a qualquer pretexto, o escritor revela suas obseções, mergulha em lembranças solitárias de infâncias e adolescências, preocupa-se com o social e ético – encontrando sempre uma maneira nova de fazer isso, como se nunca tivesse feito antes.

A originalidade e o humor de Verissimo funcionam, desta forma, como o melhor antídoto para quem não gosta de ler – ou melhor, para quem ainda não descobriu o prazer, a aventura, que um livro pode proporcionar.”

Já há alguns anos uma pessoa indicou pra que eu lesse este livro. Fazia já algum tempo que dedicava minha leitura quase que exclusivamente a livros de nível técnico, e quando terminei (ou estava chegando ao fim) a minha graduação que eu percebi o quanto uma leitura diferente estava fazendo falta. Daí por diante retomei pouco a pouco o meu hábito regular pela leitura que não fosse voltada apenas à minha área acadêmica e profissional. Passei, então, a ler livros mais descontraídos, os clássicos, títulos contemporâneos de diversos gêneros, e, como nem tudo são flores, alguns títulos que foram uma total perda de tempo. Por alguma razão que não sei explicar acabou que eu não havia lido Comédias para se ler na escola, não havia lido, pelo menos, até agora.

“Depois de ler este livro, duvido que algum jovem ainda seja capaz de dizer, sinceramente, que não curte ler”.

Ana Maria Machado

Comédia para se ler na escola tem o nobre objetivo de servir como instrumento para a iniciação de jovens leitores que ainda não descobriram o apreço pela leitura. O livro é uma antologia de crônicas, escritas ao longo dos anos por Verissimo, reunidas e apresentadas pela também escritora Ana Maria Machado. Só a apresentação do livro já vale a leitura, nela, Ana Maria Machado, faz uma breve reflexão sobre de onde vem o nosso gosto pela leitura (como somos introduzidos à leitura) e como se faz novos leitores, principalmente entre aqueles que “dizem” não gostar de ler. A receita, segundo ela, é “textos curtos, fáceis, divertidos, escritos numa linguagem clara e parecida com a que a gente fala todo dia”. Todas essas características fazem parte dos textos de Luis Fernando Verissimo e seus textos estão divididos aqui em seis categorias diferentes: equívocos, outros tempos, de olho na linguagem, fábulas, falando sério e exercícios de estilo.

Enquanto lia o livro eu pude me divertir bastante, primeiro pela abertura proporcionada pela Ana Maria Machado que, como disse anteriormente, já vale a leitura. Não bastasse isso eu sou um fã de Luis Fernando Verissimo. Embora nunca tenha lido um livro seu eu li várias de suas crônicas através dos jornais (mantive assinatura dos principais jornais durante minha adolescência), e além de suas crônicas eu gostava muito de seu trabalho como cartunista. Ainda me aproveitando do meu momento nostalgia eu lembro de uma vez, quando ainda estava no colegial, no qual eu e alguns amigos mais chegados “brincávamos” com o tema de uma de suas crônicas, Defenestração, que faz parte desse livro. Outro ponto que eu gostei muito foi perceber que cada crônica foi escrita num momento diferente da história do Brasil, vemos textos que foram escritos durante o governo do Sarney, Collor, Fernando Henrique, temos também citações a escândalos e a personagens de épocas diferentes, e, como disse, me divirto muito contextualizando suas crônicas com o momento no qual elas devem ter sido escritas.

Ler esse livro pra mim foi um deleite, e depois de tanto tempo se eu pudesse dizer alguma coisa à pessoa que indicou pra mim essa leitura seria: – Muito obrigado, você tinha razão, era a leitura que eu estava precisando há muito tempo.

Livro: Coraline, de Neil Gaiman

Sinopse

No livro, a jovem Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, a menina consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

Resenha

Sou suspeito a falar sobre qualquer obra de Neil Gaiman, sou fã do autor desde a época em que colecionava quadrinhos. Seu estilo sempre me cativou e acima de tudo o teor de suas estórias. Como já tinha visto o filme (e adorado!) tinha certeza que não iria me decepcionar com a leitura, e tive razão quanto a isso, pois Coraline é sim um livro feito para o público infantil e que justamente por não subestimar seu público que o título consegue ir além do gênero infanto-juvenil.

“Contos de fada são a pura verdade: Não porque nos contam que os dragões existem, mas porque nos contam que eles podem ser vencidos”.

G. K. Chesterton

A epígrafe de G. K. Chesterton dá o tom da trama, Coraline é uma protagonista como não se vê em muitos livros infanto-juvenis, não pela sua esperteza, mas porque diante das várias situações apresentadas ao longo do livro ela se mostra extremamente humana, ou seja, ela reage como qualquer pessoa normal (ainda mais uma criança) reagiria numa situação assustadora, perigosa e que claramente colocasse não só a nossa vida em risco como também a de outras pessoas que são importantes pra gente, ela sente medo, insegurança e não tem certeza às vezes se o que ela faz vai dar certo. Essa preocupação do autor de não tornar perfeita a sua personagem é que ajuda a tornar a trama tão tensa e assustadora em alguns momentos, pois a gente sente junto com a personagem. Em alguns momentos Coraline se vê imersa em questões de níveis mais filosóficos, e isso enriquece a leitura. Além disso, o livro é recheado de sarcasmo e muito bom humor. Quanto às referências a Alice no país das maravilhas elas começam e terminam no fato de haver um Gato na estória e num mundo paralelo surrealista, e mais nada.

Resumindo, Coraline é um livro divertido e instigante que nos assusta na medida certa. Foge do piegas e dos clichês que assombram vários títulos infanto-juvenis nos apresentando uma literatura madura e coesa.

Filme x Livro

Vi o filme na época de seu lançamento, inclusive fiz uma avaliação dele aqui, e posso dizer que o filme foi extremamente fiel (não igual) ao livro. O filme é uma experiência sensorial única, a parceria com Henry Selick foi tão bem sucedida como foi à parceira com Dave Mckean, enquanto que o livro nos apresenta uma profundidade maior das personagens e acontecimentos da trama. E não sei se alguém não gostou do Wybie, mas ele é essencial no filme e ele é tão bem feito que parece ter sido criado pelo próprio Neil Gaiman.

Esse post faz parte do Desafio Literário 2011 e o tema para o mês de janeiro é literatura infanto-juvenil.