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Livro: Haroun e o mar de histórias, de Salman Rushdie

Sinopse: Rashid, um contador de histórias profissional, é conhecido como o Mar de Ideias, o lendário Xá do Blá-blá-blá. Um dia, porém, ele perde o dom da palavra, e com isso perde também seu ganha pão e toda a alegria de viver. É então que seu filho Haroun descobre que toda a história vem de um grande mar de histórias, o que o faz entregar-se à fantástica aventura de ir em busca das palavras. Auxiliado por personagens cheios de encanto, como o Gênio da Água e o Gavião Avião, o jovem Haroun terá de enfrentar o odioso Khattam-Shud e vencer tenebrosas forças da escuridão e do silêncio.

Nesta Fábula deliciosa, Rushdie faz uma defesa brilhante da criação, da fantasia e da liberdade, uma celebração da alegria de contar histórias e do prazer de ouvi-las.

Resenha: Não dá pra falar de Haroun e o mar de histórias sem antes falar um pouco sobre Salman Rushdie. Salman Rushdie é um escritor indiano que ganhou notoriedade já com seu segundo romance, Os filhos da meia-noite, no entanto, foi com as polêmicas resultantes do seu livro mais famoso, Os versos satânicos, que fez com ele se torna-se muito mais conhecido. Afinal de contas o autor foi “condenado a morte” pelo Aiatolá Khomeini já que ele considerou seu trabalho como “uma blasfêmia contra o Islã”. Devido a esse incidente Salman Rushdie teve que viver, durante muitos anos, no anonimato e foi justamente nesse periodo que Haroun e o mar de histórias foi escrito.

É dito que Haroun e o mar de histórias foi escrito como uma forma do escritor explicar ao seu filho mais velho os motivos que o levaram a perda da liberdade de expresão. Não achei nada que comprovasse esse ponto, no entanto, esse romance foi realmente escrito em homenagem ao filho mais velho de Rushdie de quem esteve afastado durante um longo periodo. O livro tratava-se também de uma promessa que o autor já havia feito ao seu filho, que seu próximo livro seria um livro que as crianças pudessem e gostassem de ler. De tudo isso, então, surgiu a fantástica saga de Haroun e o mar de histórias.

Numa breve analise pode-se dizer que o livro é na verdade uma alegoria que aborda várias problemas sociais como censura, liberdade de expressão, totalitarismo, etc, vistos sob um ponto de vista inocente de uma criança, o protagonista Haroun. Apesar do livro tocar questões extremamente delicadas ele acaba não sendo um livro pesado, na verdade tudo isso é mostrado de uma forma muito delicada e harmoniosa, e mesmo tendo questões tão complexas como essas como pano de fundo o que chama a atenção é a forma fantástica como toda a trama é narrada. Mais do que isso, em Haroun e o mar histórias o que nós temos é uma linda estória sobre o amor entre pai e filho.

Haroun e o mar de histórias nos apresenta um mundo fantástico de onde são originadas todas as fábulas e estórias já contadas. Somos apresentados a personagens extremamente cativantes que nos faz sentir como se nós fossemos o protagonista de estória e que eles estivessem interagindo conosco. Não existe nenhuma personagem à toa na narrativa, todos tem sua importância, desde o nome até suas atitudes. Em alguns momentos me senti como se estivesse lendo A história sem fim, de Michael Ende, por todo envolvimento e fantasia que a estória nos proporciona.

Fiquei muito satisfeito com o livro, realmente ele foi capaz de superar todas as minhas expectativas e posso dizer que acertei em minha escolha para abrir o Desafio Literário 2011. Haroun e o mar de histórias é um livro que, embora definido como literatura infanto-juvenil, pode ser lido por qualquer pessoa, adulto ou criança, porque ele transcende o gênero para o qual foi concebido. Sem dúvida é um livro que já faz parte da minha lista de favoritos.

Avaliação

Pensei bastante quanto a atribuir um valor a leitura não só desse livro como também das minhas futuras leituras, no entanto, eu cheguei à conclusão que essa avaliação não se faz necessária. Acaba sendo superficial demais uma nota que classifique um livro como bom ou ruim. A nota diminui a importância da resenha (que é apenas uma forma de troca de ideias e impressões sobre a leitura) e pode não fazer justiça com o livro uma vez que não é porque eu gostei ou não da leitura que isso queira dizer que um livro seja bom ou ruim. Em todo caso não acho errado alguém atribuir nota aos livros que leem, mas eu me sinto desconfortável em ter que fazê-lo, por isso não atribuirei nota alguma.

PS: Faço parte do Skoob e lá eu credito notas aos livros que leio, embora pareça estranho (e até hipócrita) no Skoob eu credito notas que mostra o quanto eu gostei ou não de um livro e não se um livro é bom ou ruim. Parece que é a mesma coisa, mas é muito diferente.

Esse post faz parte do Desafio Literário 2011 e o tema para o mês de janeiro é literatura infanto-juvenil.

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  1. 11/01/2011 às 20:13

    Olá, gostei muito de sua resenha, não conhecia este título, e parece que o livro é realmente muito bom. Valeu a dica de leitura.
    http://lereomelhorlazer.blogspot.com/

  2. 12/01/2011 às 02:19

    assim como a monica, não conhecia esse título. fiquei muito interessada a partir de sua resenha, espero poder lê-lo em breve

    parabéns pela resenha e escolha, ambas ótimas!

    • icekilmer
      12/01/2011 às 10:21

      Fico feliz que tenha gostado da resenha e mais ainda por saber que você se interessou por ler o livro. É uma ótima leitura, me diverti muito enquanto lia.
      Obrigado também pela visita, dei uma passeada em seu blog e também gostei muito da sua impressão sobre Alice no país das Maravilhas.

  3. 12/01/2011 às 11:29

    A julgar pela qualidade da resenha, parece ser uma leitura imperdível mesmo. Nem precisa de avaliação realmente, pois dá para medir o nivel de sua apreciação. Bela participação!

    Abraços

    • icekilmer
      16/01/2011 às 12:50

      Fico lisonjeado pelo elogio, procurei ser o mais objetivo possível e evitando ao máximo revelar qualquer parte do enredo na minha resenha. Realmente eu gostei muito do livro e espero que esse tenha sido o primeiro de muitos outros livros do autor que virão.
      Mais uma vez obrigado pelo elogio e obrigado pela visita.

  4. 12/01/2011 às 22:38

    Nossa, que escolha interessante. Um autor indiano.

    Fiquei muito feliz com a tua resenha, muito bacana mesmo.

    Beijos

    • icekilmer
      16/01/2011 às 12:47

      Fico feliz que tenha gostado, agradeço a visita e seu comentário.

  5. Rê Lima
    13/01/2011 às 00:53

    A sua resenha é um convite a leitura da obra. Conhecia o autor pelos noticiários, mas não a sua obra.
    Parabéns pela resenha, pois temos a oportunidade de conhecer novos e velhos autores.

    Abs, Rê

    • icekilmer
      16/01/2011 às 12:45

      Pois é, assim como você eu só o conhecia pelo que falavam dele e não pelo que ele havia escrito. Fiquei muito contente pela minha primeira experiência com o autor ter sido tão agradável.
      Obrigado pelo comentário e pela visita.

  6. 13/01/2011 às 14:19

    gosto muito da prosa do autor, vou procurar este título aqui.

  7. 13/01/2011 às 18:37

    Realmente fiquei desejando ler, depois dessa resenha. Não conhecia o autor, mas agora quero saber mais um pouco.

  8. 13/01/2011 às 19:52

    Uau!! Adorei a maneira como escreveu, fiquei curiosa para ler!!
    Obrigada por compartilhar…

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