Arquivo

Archive for janeiro \20\UTC 2011

Livro: Comédias para se ler na escola, de Luis Fernando Verissimo

“Para gostar de ler, eis a sugestão: textos curtos, fáceis, divertidos, escritos numa linguagem clara e parecida com a que a gente fala todo dia. Assim recomenda Ana Maria Machado. Assim são os textos de Luis Fernando Verissimo.

Com a experiência de quem já publicou 105 livros, para adultos e crianças, Ana Maria Machado examinou a obra de Veríssimo sob o ponto de vista do leitor jovem. O que ele busca? Por que nem sempre se apaixona por um livro? Do que precisa para, finalmente, incorporar o hábito da leitura ao seu cotidiano?

Ana encontrou respostas sedutoras no texto de Verissimo. Capaz de falar sobre qualquer assunto e a qualquer pretexto, o escritor revela suas obseções, mergulha em lembranças solitárias de infâncias e adolescências, preocupa-se com o social e ético – encontrando sempre uma maneira nova de fazer isso, como se nunca tivesse feito antes.

A originalidade e o humor de Verissimo funcionam, desta forma, como o melhor antídoto para quem não gosta de ler – ou melhor, para quem ainda não descobriu o prazer, a aventura, que um livro pode proporcionar.”

Já há alguns anos uma pessoa indicou pra que eu lesse este livro. Fazia já algum tempo que dedicava minha leitura quase que exclusivamente a livros de nível técnico, e quando terminei (ou estava chegando ao fim) a minha graduação que eu percebi o quanto uma leitura diferente estava fazendo falta. Daí por diante retomei pouco a pouco o meu hábito regular pela leitura que não fosse voltada apenas à minha área acadêmica e profissional. Passei, então, a ler livros mais descontraídos, os clássicos, títulos contemporâneos de diversos gêneros, e, como nem tudo são flores, alguns títulos que foram uma total perda de tempo. Por alguma razão que não sei explicar acabou que eu não havia lido Comédias para se ler na escola, não havia lido, pelo menos, até agora.

“Depois de ler este livro, duvido que algum jovem ainda seja capaz de dizer, sinceramente, que não curte ler”.

Ana Maria Machado

Comédia para se ler na escola tem o nobre objetivo de servir como instrumento para a iniciação de jovens leitores que ainda não descobriram o apreço pela leitura. O livro é uma antologia de crônicas, escritas ao longo dos anos por Verissimo, reunidas e apresentadas pela também escritora Ana Maria Machado. Só a apresentação do livro já vale a leitura, nela, Ana Maria Machado, faz uma breve reflexão sobre de onde vem o nosso gosto pela leitura (como somos introduzidos à leitura) e como se faz novos leitores, principalmente entre aqueles que “dizem” não gostar de ler. A receita, segundo ela, é “textos curtos, fáceis, divertidos, escritos numa linguagem clara e parecida com a que a gente fala todo dia”. Todas essas características fazem parte dos textos de Luis Fernando Verissimo e seus textos estão divididos aqui em seis categorias diferentes: equívocos, outros tempos, de olho na linguagem, fábulas, falando sério e exercícios de estilo.

Enquanto lia o livro eu pude me divertir bastante, primeiro pela abertura proporcionada pela Ana Maria Machado que, como disse anteriormente, já vale a leitura. Não bastasse isso eu sou um fã de Luis Fernando Verissimo. Embora nunca tenha lido um livro seu eu li várias de suas crônicas através dos jornais (mantive assinatura dos principais jornais durante minha adolescência), e além de suas crônicas eu gostava muito de seu trabalho como cartunista. Ainda me aproveitando do meu momento nostalgia eu lembro de uma vez, quando ainda estava no colegial, no qual eu e alguns amigos mais chegados “brincávamos” com o tema de uma de suas crônicas, Defenestração, que faz parte desse livro. Outro ponto que eu gostei muito foi perceber que cada crônica foi escrita num momento diferente da história do Brasil, vemos textos que foram escritos durante o governo do Sarney, Collor, Fernando Henrique, temos também citações a escândalos e a personagens de épocas diferentes, e, como disse, me divirto muito contextualizando suas crônicas com o momento no qual elas devem ter sido escritas.

Ler esse livro pra mim foi um deleite, e depois de tanto tempo se eu pudesse dizer alguma coisa à pessoa que indicou pra mim essa leitura seria: – Muito obrigado, você tinha razão, era a leitura que eu estava precisando há muito tempo.

Anúncios

Eu cansei

Hoje estou aqui para fazer uma confissão, ou melhor, talvez um desabafo para você, afinal estamos juntos há tanto tempo.

Durante muitas vezes me senti usado, mal tratado e mal interpretado. Você diz que eu tenho pressa e fico sempre correndo quando o assunto é você.

Você diz que me tem pouco, mas poucas vezes repara que estou sempre presente. Você diz que eu não te dou atenção, mas na verdade é você que não me dá à mínima.

Você reclama que quando precisa de mim não estou a sua disposição, mas na verdade nunca deu valor quando eu estava à toa.

Hoje eu cansei. Passei para dizer que na verdade eu não sou o único errado dessa história.

Estou sempre aqui e sempre à disposição, mas você não me valoriza. Só lembra de mim quando fica doente ou está todo enrolado com as suas coisas de trabalho.

Sou muito democrático e simplesmente gosto de seguir as coisas que você determina. Então sou simplesmente um reflexo de suas próprias atitudes.

Eu não reclamo, mesmo quando você coloca coisas que não tem nada a ver, que fazem mal ou que não trazem nenhum tipo de resultado ao nosso relacionamento.

Estou aqui para você lembrar, que nós podemos ter um relacionamento melhor, mais estável, mais alegre e equilibrado. Afinal é simplesmente isso que eu quero. Você é a pessoa que escolhi para viver até o fim dos dias e isso nunca ninguém poderá mudar.

Estou aqui para te perdoar e ser perdoado, pois ainda temos uma jornada juntos e podemos fazer sempre um novo começo, mesmo sem mudar o nosso passado.

Estou aqui para você entender que cansei de ser apenas seu tempo. Queria ser a sua vida. Mas essa é uma decisão que apenas você poderá tomar.

Eu me chamo tempo. Mas você pode me chamar de família, relógio, trabalho, descanso, lazer ou qualquer outra coisa.

Vamos fazer as pazes?

Viva seu tempo com muita sabedoria!

Christian Barbosa
(em um dia inspirado)
www.maistempo.com.br

Texto de Christian Barbosa originalmente publicado no seguinte endereço: http://blog.maistempo.com.br/2010/06/24/eu-cansei

Livro: Coraline, de Neil Gaiman

Sinopse

No livro, a jovem Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, a menina consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

Resenha

Sou suspeito a falar sobre qualquer obra de Neil Gaiman, sou fã do autor desde a época em que colecionava quadrinhos. Seu estilo sempre me cativou e acima de tudo o teor de suas estórias. Como já tinha visto o filme (e adorado!) tinha certeza que não iria me decepcionar com a leitura, e tive razão quanto a isso, pois Coraline é sim um livro feito para o público infantil e que justamente por não subestimar seu público que o título consegue ir além do gênero infanto-juvenil.

“Contos de fada são a pura verdade: Não porque nos contam que os dragões existem, mas porque nos contam que eles podem ser vencidos”.

G. K. Chesterton

A epígrafe de G. K. Chesterton dá o tom da trama, Coraline é uma protagonista como não se vê em muitos livros infanto-juvenis, não pela sua esperteza, mas porque diante das várias situações apresentadas ao longo do livro ela se mostra extremamente humana, ou seja, ela reage como qualquer pessoa normal (ainda mais uma criança) reagiria numa situação assustadora, perigosa e que claramente colocasse não só a nossa vida em risco como também a de outras pessoas que são importantes pra gente, ela sente medo, insegurança e não tem certeza às vezes se o que ela faz vai dar certo. Essa preocupação do autor de não tornar perfeita a sua personagem é que ajuda a tornar a trama tão tensa e assustadora em alguns momentos, pois a gente sente junto com a personagem. Em alguns momentos Coraline se vê imersa em questões de níveis mais filosóficos, e isso enriquece a leitura. Além disso, o livro é recheado de sarcasmo e muito bom humor. Quanto às referências a Alice no país das maravilhas elas começam e terminam no fato de haver um Gato na estória e num mundo paralelo surrealista, e mais nada.

Resumindo, Coraline é um livro divertido e instigante que nos assusta na medida certa. Foge do piegas e dos clichês que assombram vários títulos infanto-juvenis nos apresentando uma literatura madura e coesa.

Filme x Livro

Vi o filme na época de seu lançamento, inclusive fiz uma avaliação dele aqui, e posso dizer que o filme foi extremamente fiel (não igual) ao livro. O filme é uma experiência sensorial única, a parceria com Henry Selick foi tão bem sucedida como foi à parceira com Dave Mckean, enquanto que o livro nos apresenta uma profundidade maior das personagens e acontecimentos da trama. E não sei se alguém não gostou do Wybie, mas ele é essencial no filme e ele é tão bem feito que parece ter sido criado pelo próprio Neil Gaiman.

Esse post faz parte do Desafio Literário 2011 e o tema para o mês de janeiro é literatura infanto-juvenil.

Livro: A ilha perdida, de Maria José Dupré

Sinopse

Descobrir o mistério da ilha perdida. Era esse o ousado projeto dos irmãos Henrique e Eduardo. Porém, quando mal começava sua excursão, depois de atravessar o rio, os dois se viram tão perdidos quanto a própria ilha em que se encontravam. Que surpresas se escondiam por trás da densa mata que recobria toda a paisagem? Quem seria Simão, o solitário e enigmático habitante da ilha, que separou os dois meninos, levando Henrique para sua caverna? E, afinal, Henrique era um hóspede ou um prisioneiro?

Venha se perder nessa ilha fantástica de emoção e magia.

 

Resenha

Se para a primeira postagem do Desafio Literário 2011 eu escolhi um livro infanto-juvenil que tivesse cara de livro adulto, dessa vez o critério que adotei foi a simples nostalgia. Acho que muitos, assim como eu, tiveram contato ainda durante a infância, ou início da pré-adolescência, com a famosa Série Vagalume. Era difícil encontrar alguém, algum vizinho, amigo ou parente, que não tivesse lido pelo menos um livro da série, ou mesmo, lido um dos livros como trabalho de escola já que a serie foi amplamente divulgada e recomendada na rede pública de meados dos anos 70 (por isso o Vagalume é um Hipponga na maioria dos livros) até início dos anos 90. Por essa razão escolhi como 2ª leitura um livro que me fizesse lembrar, um pouco, essa época.

Indo direto ao ponto A ilha perdida é uma fábula que procura nos alertar quanto à importância de sermos respeitosos com a natureza e com os animais, preservando e protegendo, isso é deixado bem claro ao longo da estória. A trama envolve elementos que faziam a cabeça da maioria das crianças de tempos atrás (bom, pelo menos a minha e a da maioria das pessoas que eu conhecia) como aventura, mistério, piratas (não aparece nenhum na estória, mas pelo menos pra mim era automática a associação, ilha era sinônimo para piratas e tesouro), Tarzan ou Mogli o menino lobo. Além disso, o livro é bem despretensioso e dotado de grande inocência, alguns eventos são completamente inverossímeis, mas não chega a comprometer o livro já que o que nos parece absurdo pra uma criança é o que deve parecer fantástico.

A ilha perdida é um livro simples com o claro objetivo de divertir e passar uma mensagem positiva e educativa em seu desfecho. A linguagem do livro é muito clara e direta, não existem rodeios e tudo acontece muito rápido o que acaba dando ritmo e ajuda a prender a atenção na leitura permitindo que ele seja lido em algumas poucas horas. Por fim, trata-se de um ótimo livro pra ser lido por qualquer criança e funciona muito bem como porta de entrada para a literatura.

Esse post faz parte do Desafio Literário 2011 e o tema para o mês de janeiro é literatura infanto-juvenil.

Livro: Haroun e o mar de histórias, de Salman Rushdie

Sinopse: Rashid, um contador de histórias profissional, é conhecido como o Mar de Ideias, o lendário Xá do Blá-blá-blá. Um dia, porém, ele perde o dom da palavra, e com isso perde também seu ganha pão e toda a alegria de viver. É então que seu filho Haroun descobre que toda a história vem de um grande mar de histórias, o que o faz entregar-se à fantástica aventura de ir em busca das palavras. Auxiliado por personagens cheios de encanto, como o Gênio da Água e o Gavião Avião, o jovem Haroun terá de enfrentar o odioso Khattam-Shud e vencer tenebrosas forças da escuridão e do silêncio.

Nesta Fábula deliciosa, Rushdie faz uma defesa brilhante da criação, da fantasia e da liberdade, uma celebração da alegria de contar histórias e do prazer de ouvi-las.

Resenha: Não dá pra falar de Haroun e o mar de histórias sem antes falar um pouco sobre Salman Rushdie. Salman Rushdie é um escritor indiano que ganhou notoriedade já com seu segundo romance, Os filhos da meia-noite, no entanto, foi com as polêmicas resultantes do seu livro mais famoso, Os versos satânicos, que fez com ele se torna-se muito mais conhecido. Afinal de contas o autor foi “condenado a morte” pelo Aiatolá Khomeini já que ele considerou seu trabalho como “uma blasfêmia contra o Islã”. Devido a esse incidente Salman Rushdie teve que viver, durante muitos anos, no anonimato e foi justamente nesse periodo que Haroun e o mar de histórias foi escrito.

É dito que Haroun e o mar de histórias foi escrito como uma forma do escritor explicar ao seu filho mais velho os motivos que o levaram a perda da liberdade de expresão. Não achei nada que comprovasse esse ponto, no entanto, esse romance foi realmente escrito em homenagem ao filho mais velho de Rushdie de quem esteve afastado durante um longo periodo. O livro tratava-se também de uma promessa que o autor já havia feito ao seu filho, que seu próximo livro seria um livro que as crianças pudessem e gostassem de ler. De tudo isso, então, surgiu a fantástica saga de Haroun e o mar de histórias.

Numa breve analise pode-se dizer que o livro é na verdade uma alegoria que aborda várias problemas sociais como censura, liberdade de expressão, totalitarismo, etc, vistos sob um ponto de vista inocente de uma criança, o protagonista Haroun. Apesar do livro tocar questões extremamente delicadas ele acaba não sendo um livro pesado, na verdade tudo isso é mostrado de uma forma muito delicada e harmoniosa, e mesmo tendo questões tão complexas como essas como pano de fundo o que chama a atenção é a forma fantástica como toda a trama é narrada. Mais do que isso, em Haroun e o mar histórias o que nós temos é uma linda estória sobre o amor entre pai e filho.

Haroun e o mar de histórias nos apresenta um mundo fantástico de onde são originadas todas as fábulas e estórias já contadas. Somos apresentados a personagens extremamente cativantes que nos faz sentir como se nós fossemos o protagonista de estória e que eles estivessem interagindo conosco. Não existe nenhuma personagem à toa na narrativa, todos tem sua importância, desde o nome até suas atitudes. Em alguns momentos me senti como se estivesse lendo A história sem fim, de Michael Ende, por todo envolvimento e fantasia que a estória nos proporciona.

Fiquei muito satisfeito com o livro, realmente ele foi capaz de superar todas as minhas expectativas e posso dizer que acertei em minha escolha para abrir o Desafio Literário 2011. Haroun e o mar de histórias é um livro que, embora definido como literatura infanto-juvenil, pode ser lido por qualquer pessoa, adulto ou criança, porque ele transcende o gênero para o qual foi concebido. Sem dúvida é um livro que já faz parte da minha lista de favoritos.

Avaliação

Pensei bastante quanto a atribuir um valor a leitura não só desse livro como também das minhas futuras leituras, no entanto, eu cheguei à conclusão que essa avaliação não se faz necessária. Acaba sendo superficial demais uma nota que classifique um livro como bom ou ruim. A nota diminui a importância da resenha (que é apenas uma forma de troca de ideias e impressões sobre a leitura) e pode não fazer justiça com o livro uma vez que não é porque eu gostei ou não da leitura que isso queira dizer que um livro seja bom ou ruim. Em todo caso não acho errado alguém atribuir nota aos livros que leem, mas eu me sinto desconfortável em ter que fazê-lo, por isso não atribuirei nota alguma.

PS: Faço parte do Skoob e lá eu credito notas aos livros que leio, embora pareça estranho (e até hipócrita) no Skoob eu credito notas que mostra o quanto eu gostei ou não de um livro e não se um livro é bom ou ruim. Parece que é a mesma coisa, mas é muito diferente.

Esse post faz parte do Desafio Literário 2011 e o tema para o mês de janeiro é literatura infanto-juvenil.