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Archive for março \24\UTC 2010

Comemorem! Na Espanha, compartilhar está dentro da lei

A Espanha já recebeu diversas olhadas tortas por parte do presidente da França – Nicolas Sarkozy (sim, mais conhecido como o marido baixinho da Carla Bruni), por não entrar na onda de caça aos Piratas. O francês narigudo é como um evangelista corporativo que roda toda a Europa em busca da aprovação de leis como as aprovadas no país dele. As anteriormente liberais Holanda e Suécia caíram, e junto com os dois países, se foi o Mininova, e quase o Pirate Bay.

Mas a Espanha está de pé, como um foco de resistência – tão forte, que muitos usuários de Torrent clamam para que o Pirate Bay se mude para lá. Essa linha liberal, que vai de encontro a um certo endurecimento da maioria dos países com relação às atitudes de internet, ficou mais uma vez clara na decisão do juiz espanhol Raul N. García Orejudo. Ele julgava a ação da SGAE (Sociedad General de Autores y Editores – a APCM local) contra Jesus Guerra, que disponibilizava músicas e vídeos no site dele, que basicamente tinha links para distribuição de arquivos pela rede eDonkey. A SGAE reclamou de abusos de direitos autorais, entrou com um processo… e quebrou a cara, pois o juiz Raul rejeitou o pedido de fechamento do site feito pela SGAE. No entendimento do juiz, redes P2P são somente uma plataforma de distribuição de conteúdo (e são mesmo, que fique claro), e em sua essência, não infringem nenhuma lei.

Agora vem a beleza da decisão: para o juiz não houve crime, pois oferecer links para download, não é equivalente a distribuir aquele material, pois não houve ganhos financeiros. Na fala dele: Portanto, se um indivíduo utiliza redes P2P, como eDonkey e BitTorrent, para obter material com direitos autorais por razões não-lucrativos, o ato é completamente legal. Os macaquinhos da SGAE provavelmente tentarão tirar o rabo do meio das pernas e apelarão da decisão, mas a primeira bordoada certeira já foi dada!

Post originalmente publicado pelo  Nerds Somos Nozes

Link para o post original: http://www.nerdssomosnozes.com/2010/03/comemorem-na-espanha-compartilhar-esta.html

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Clássicos da literatura mundial numa banca pertinho de você

Não sou de ficar puxando sardinha pra muitas coisas que eu vejo por ai a venda, mas nesse caso eu não tenho como não falar sobre a coleção de clássicos que a Editora Abril vem distribuindo nas bancas de jornais e revistas.

Trata-se de uma coleção de clássicos da literatura lançados a preços bem convidativos e com um acabamento impecável. Ao adquirir o primeiro volume eu já me apaixonei pelo acabamento e fiquei até com vontade de adquirir os outros livros que já li ou que eu já tenho.  Todos os livros são em capa dura com acabamento em tecido, revisados pela nova ortografia e ao final de cada livro trazem informações sobre a obra e o autor.

Ao todo são 30 clássicos em 35 volumes lançados semanalmente. O livro de estréia da coleção foi Crime e Castigo (que eu tenho que admitir hoje é o meu livro favorito) de Fiodor Dostoiévski e ainda fazem parte autores como Machado de Assis, Shakespeare, Goethe, Proust, Euclides da Cunha, dentre tantos outros.

Pra quem gosta dos clássicos fica aqui uma ótima oportunidade pra tê-los e relê-los numa qualidade incrível. Pra quem não está tão familirizado com a obra desses autores posso garantir que no mínimo vale uma espiadinha, até porque o preço é muito mais convidativo que qualquer best seller moderno empesteado de vampiros chorões, pré-adolescentes salvadores do mundo, teorias da conspiração envolvendo organizações secretas pseudo-verdadeiras, etc.

Pra conhecer um pouco mais sobre a coleção acessem: http://www.classicosabrilcolecoes.com.br

Fica a dica! 😉

Sobre o tempo…

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.

Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

[William Shakespeare]

Soneto XII, Tradução Ivo Barroso

LIPDUB – “Aqui é mais legal”

Lipdub é a “nova mania” entre as universidades.

Mas afinal, o que é LIPDUB?

Até semana passada eu tinha a mesma noção que a grande maioria das pessoas sobre esse assunto, ou seja, NENHUMA, contudo, graças a um vídeo que vi no início dessa semana (e que achei bem legal por sinal) e resolvi procurar entender direitinho do que se tratava.

Lipdub é um termo que podemos traduzir como Dublagem Labial e diz respeito a um vídeo no qual várias pessoas dublam o áudio original de uma música. Esse vídeo normalmente é gravado de uma única vez, sem cortes ou edição, filmado no estilo “câmera na mão”, que deve ser a mais adequada já que essa filmagem costuma ser sempre em movimento. Ou seja, a câmera vai andando e filmando o povo que vai dublando a música.

Explicando assim parece estranho, ou vago, mas garanto que o vídeo é autoexplicativo.

Abaixo o Lipdub gravado pelo pessoal de FCA do Centro Universitário CEUNSP de Salto.

Esse é o vídeo em questão que me fez conhecer o Lipdub, mas porque eu vi justo esse? Simples, meu irmão mais novo estuda lá e ele fez parte das filmagens.

Pelo que ele me disse foram feitas quatro versões desse vídeo e eles ficaram com a melhor. Tudo foi gravado de forma muito espontânea no intervalo das aulas.

PS: Se lá é mais legal eu não sei, só sei que com certeza a faculdade que eu fiz foi muito chata e não tinha nada disso =/.

PS2: É possível encontrar outros vídeos de Lipdub da internet, inclusive um vídeo alemão que foi o precursor do tipo das universidades.

PS3: Ah! E eu também não sei em que parte do vídeo o meu irmão aparece.

Categorias:Família e Amigos, Livre Tags:, ,

Poemas para todas as mulheres

Hoje, 8 de março, dia Internacional da Mulher!

Confesso que não era minha ideia escrever qualquer post a respeito, não por desrespeito, mas sim pra não cair na vala comum em que a maioria absurda das pessoas caem nesse dia. Enaltecer a mulher de forma demagócica como uma “flor cálida e pura“, blá, blá, blá… Isso não cola! E nem costuma estar de acordo o que o realmente pensam a maioria das pessoas que escrevem isso ou mesmo com o que são as mulheres hoje em dia, mas em fim… resolvi não escrever.

Contudo, para não deixar passar em branco, ao invés de deixar qualquer (mal)escrito a respeito eu optei por reproduzir aqui um texto de alguém que amava as mulheres, todas elas, e que reproduziu tão bem em poesias, não o que são as mulheres, mas sim o que sentia por elas.

No teu branco seio eu choro.

Minhas lágrimas descem pelo teu ventre

E se embebedam do perfume do teu sexo.

Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado

Confuso, criança para te conter!

Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!

Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!

Homem sou belo

Macho sou forte, poeta sou altíssimo

E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.

Ai! teus cabelos recendem à flor da murta

Melhor seria morrer ou ver-te morta

E nunca, nunca poder te tocar!

Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços

Anjo, sinto o calor do vento nas espumas

Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos…

Correi, correi, ó lágrimas saudosas

Afogai-me, tirai-me deste tempo

Levai-me para o campo das estrelas

Entregai-me depressa à lua cheia

Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me o cântico dos cânticos

Que eu não posso mais, ai!

Que esta mulher me devora!

Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!

PS: Poema extraído do livro “Vinicius de Moraes — Poesia completa e Prosa”, Editora Nova Aguillar — Rio de Janeiro, 1998, pág. 262.

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