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Assalto ao trem pagador (versão brasileira Herbert Richards)

Herbert Richards aos 85 anos

No último dia 20 de novembro morreu o empresário e produtor Herbert Richards, mais conhecido do grande público pela chamada “versão brasileira Herbert Richards” imortalizada em tantos filmes, desenhos e séries do que pelo seu legado.

Muito foi dito e noticiado (tudo bem, noticiado bem pouco) sobre Herbert Richards desde a sua morte, mas pelo que eu percebi foi dito mais sobre o seu papel e importância ao mercado da dublagem do que a sua importância para o cinema nacional como um todo. Verdade seja dita é fácil saber o porquê de sua importância para a dublagem brasileira (reconhecida como a melhor do mundo) já que ele foi um dos pioneiros desse segmento no Brasil e muitos filmes (Aventureiros do bairro proibido, Máquina Mortífera, Os dez mandamentos, etc), séries (Alf, A gata e o rato, Barrados no Baile, etc) e desenhos (Caverna do dragão, Thundescats, He-Man, etc) que marcaram época e gerações passaram pelos seus estúdios. Acontece que Herbert Richards deixou sua marca também na produção de filmes, ainda nas décadas de 50 e 60 seus estúdios eram a única concorrente da Atlântida (época em que o Brasil tinha uma indústria de cinema) e de seus estúdios saíram vários filmes, um em especial eu considero um dos melhores filmes já produzidos no Brasil junto com Tropa de elite, O pagador de promessas e Cidade de Deus, o ótimo O assalto ao trem pagador.

O assalto ao trem pagador foi um filme inspirado numa história real que aconteceu aqui no Brasil, o roubo ao trem pagador da Central do Brasil em 1960. O roubo de tão bem articulado estava sendo atribuído pela polícia da época a uma quadrilha internacional. Resultado disso tudo? Em 1962 foi lançado o filme que em pouco tempo se tornou sucesso de público e crítica recebendo prêmios no Brasil e no exterior, além de ter participado de outros festivais internacionais.

Eu acho que eu gosto muito desse filme por influência do meu pai, se tem um filme que meu pai lembra e fala sempre que a oportunidade aparece é esse. A riqueza dos detalhes que ele contava pra mim sobre sua cena favorita no filme me surpreendeu quando eu vi o filme pela primeira vez. A cena em questão é a da discussão (acerto de contas) entre os membros da quadrilha protagonizada principalmente pelo Grilo (Reginaldo Faria) e Tião Medonho (Eliezer Gomes), uma cena densa, intensa e contundente pode contar com todos esses atributos graças às interpretações impecáveis dos protagonistas.

Qual não foi minha surpresa quando eu encontrei no YouTube justamente essa cena que talvez seja a mais emblemática de todo o filme? Afinal de contas cena de filme brasileiro, da década de 60, preto e branco, é praticamente mosca branca ( até em locadora hoje em dia é difícil de achar). Por isso resolvi colocar dividir essa ótima cena com vocês.

Pra ninguém ficar por fora do que está acontecendo é assim: Parte do plano consistia que o dinheiro do roubo não deveria ser gasto por ninguém durante um ano inteiro e todos voltam à favela e mantém o pacto a duras penas, menos um o Grilo que começa a gastar sua parte no roubo tendo vida de “bacana” e isso desperta a ira de todos no bando. O resultado vocês conferem abaixo (o melhor é a última fala, eu sempre rio de satisfação… ou sadismo, sei lá…).

É engraçado como que por motivações diferentes uma mesma cena marca as pessoas, meu pai teve os motivos dele e eu… bom, a cena, bem como o filme todo, faz com que eu lembre de boa parte das conversas que eu tive com meu pai sobre cinema e outros assuntos.

PS: Prá não dizer que não falei mais do Herbert Richards eu posso dizer que pra mim não chega a ser uma perda para o Brasil, não por insensibilidade, mas sim porque ele foi uma pessoa que viveu plenamente até seus 86 anos de idade e deixou um legado que permanece e permanecerá por gerações. Então ao invés de lamentar uma morte, que querendo ou não é um processo que faz parte da vida, eu prefiro ver de forma positiva e lembrar que o que foi deixado foi algo bem maior que sua morte.

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